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CERN, Einstein, humor-nerd, Karl Popper, Marcelo Gleiser, neutrino, nonsense

Einstein fumando seu cachimbo da paz (retirado de The Pipe Smoker)
- Bom dia, meu nome é Albert Einstein, e o seu?
- Neutrino de Tau, prazer.
- Você vem sempre aqui?
- Não, só quando não estou viajando mais rápido que a luz.
- Ah, por isso é que nunca nos encontramos antes… eh… Amigo, você não acha que bebeu demais?
- Eu?! Não, pelo contrário! Estou careta hoje. Sacomé, né? Lei Seca…
- Bom, mas você sabe que nada pode viajar mais rápido que a luz, não?
- Amigo, pega leve com esse cachimbo… Você sabe que partículas subatômicas elementares não falam, né?
Para quem ainda não sabe: cientistas fizeram medições que parecem indicar que um dos pilares da Teoria da Relatividade Restrita estava errado. Medições indicaram que uma partícula subatômica elementar, o neutrino do tau, se deslocou numa velocidade maior que a da luz.
Obviamente que a observação ainda está gerando muita polêmica e algumas especulações que me parecem simplesmente sem pé nem cabeça, como acreditar que explicações para este fenômeno (caso se confirme verdadeiro) poderia conter pistas sobre como seria possível a viagem no tempo…
Não sou especialista em Física subatômica, logo meu palpite sobre o assunto não vale nada, mas como acho que entendo um pouquinho de Psicologia, acredito que mesmo os físicos céticos quanto as medições as estão levando muito a sério e que seu ceticismo é muito mais um apego a teoria com a qual trabalham do que uma descrença nas observações feitas pelo pessoal do CERN, que as realizou.

Gleiser, físico cético posando de gatinho para a foto de divulgação da Companhia das Letras (editora que lança os seus títulos no Brasil).
Um dos céticos é o físico Marcelo Gleiser, famoso aqui no Brasil por suas obras de divulgação científica, como A Dança do Universo. Em entrevista dada à revista Veja ele chegou a dizer sobre as observações do CERN: “Aposto dez dólares que em duas semanas eles vão descobrir o erro”.
Porque eu sou cético quanto ao ceticismo dele? Simples, se ele tivesse uma convicção real da descoberta de um erro nas medições ele apostaria bem mais que 10 dólares…
Mas o que me interessa disso tudo é ver que os cientistas ainda são cientistas, que a ciência ainda é ciência, pois ainda é capaz de criticar de maneira tão contundente seus pressupostos mais básicos. Já diria o velho Popper, a força da empresa científica está na atitude radicalmente crítica, que não se permite possuir dogmas intocáveis.
