Muito se fala de invasão de privacidade, de como nossas vidas particulares são devassadas, bisbilhotadas, invadidas pelo olhar e curiosidade alheios.
A invasão de privacidade pressupõe minimamente duas coisas: um invasor, e um espaço privado a ser invadido.
O fofoqueiro, o invasor, tem algo de espreitador, ele está escondido, na fresta da cortina, está atrás do “sorria, você está sendo filmado”. Ele está pronto para ver o aquilo que você não queira mostrar, ávido para devassar o que você queria esconder.
Ele está sempre de tocaia esperando um deslize da presa. A fofoca é um tipo de caça.
Por isso o fofoqueiro tem um quê de predador, predador de intimidades, de segredos. Ele não quer perder sua presa, mas ele também não pode se deixar ser visto por ela com o risco dela lhe escapar, ou simplesmente dela se transmutar em algo diferente.
Belos eram os dias em que a caça do fofoqueiro era farta, que todos tínhamos nossos segredos e precisávamos de um terreno que julgássemos indevassável para fazer o indizível.

Redes como o Twitter, Facebook, Panoramio e Flicker (dentre muitas outras) usam o recurso de geolocalização de seus usuários,
Hoje em dia parece só haver espaço para o tuíte. E para o tuíte geolocalizado. Absolutamente devassado, e qualquer coisa se tornou dizível em uns poucos caracteres.
As intimidades hoje se evadem, não há mais como invadi-las, pois elas não se escondem, não se cercam. A privacidade de um Big Brother é intransponível, simplesmente porque ela não existe, e se existiu um dia evadiu-se.
Coitado do fofoqueiro dos dias de hoje… Já não é tão fácil invadir privacidades, já não é tão fácil encontrar intimidades, os segredos estão escassos na savana.
De caçada, de esporte, a fofoca hoje é um ofício artístico, ou científico, é preciso muita sensibilidade ou muita ciência para descobrir uma intimidade ainda não desnudada.
A ideia deste post veio depois que eu vi o poder da geolocalização via aplicativos como o Fousquare e Wikitude. Confesso que fiquei assustado, ainda mais quando descobri que é default no Twitter a opção de informar sua localização.
Seguem aqui dois outros posts de outros blogs aqui do WordPress, sobre esse fenômeno da evasão de privacidade:
http://ensaius.wordpress.com/2008/01/28/cultura-digital-evasao-de-privacidade-e-faca-voce-mesmo/
http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2011/05/15/evasao-de-privacidade/

Acho que as redes sociais atraem as pessoas porque elas podem “lapidar” a imagem que os outros fazem delas. Vc só mostra o que vc quer. A fofoca faz parte, mas os mais sagazes se utilizam das fofocas para se privilegiarem.
Concordo com a Eliane, existem muitas pessoas exibicionistas, não sei ao certo o que leva a isso, mas acredito que seja a necessidade de passar a imagem de que estão felizes.
Beijos!
Adorei a descrição do blog! hahahahaha!
Falou tudo, Nilson. Acho que na atualidade temos muito mais pessoas exibicionistas do que fofoqueiros de verdade.
Beijos!