Não nascemos homens, tornamo-nos homens

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Infelizmente tornei-me homem em uma cultura machista, isso tem repercussões irrevogáveis e por isso, as vezes, me vejo em situações indefensáveis.
Não entenda errado, não estou clamando por simpatia.
A simpatia deve ser endereçada a quem tornou-se mulher nesse contexto.
Isso não é uma recomendação; é um dever ético daquele que quiser “destornar-se” este tipo de homem o máximo possível, ainda que se trate de um mínimo fatual.
É uma pena que não tenha nascido e sido criado num mundo mais igualitário, mas teria vergonha se não tentasse ajudar a frear o círculo vicioso de desigualdade.
E seria ridículo acreditar que tenho poder e desejo suficientemente fortes para para-lo.
Sou um, não tenho esse poder.
Sou homem, não tenho esse desejo. Não nas entranhas, na vontade talvez.
Racionalmente defendo igualdade, mas as vísceras temem.
Temem a mudança, a perda de privilégios, a desconstrução do tornar-se homem que vivi.
Racionalmente vivo a esperança que meus filhos e filhas hipotéticos não vivam o mesmo que nossa geração, e tantas outras antes, viveram.

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